segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Meu coração é de ouro. Quanto você dá por ele?


The Hottest State, ou Um amor jovem (sou só eu, ou as traduções de títulos para o português sempre são uma merda?)

Sim, é aquele filme do Ethan Hawke, o bonitinho de Sociedade dos Poetas Mortos, Grandes Esperanças, Before Sunrise / Before Sunset e tudo mais. Este filme ele escreveu, dirigiu e atuou. Há muito que ele deixou de ser só um bonitinho (eu me lembro que lá nos idos dos anos 90, a Capricho lançou uns mini-livretos com astros de cinema – vulgo gatos. Um deles era o Ethan. É engraçado ver que caras como Chris O’donnel nem existem mais, e o EH só tem evoluído).

Então, The Hottest State é mais um filme de DR. Relacionamentos confusos, jovens com sede de amar e de conquistar o mundo todo, de realizar sonhos enquanto tem que pagar aluguel ou jantar com a família.

Aliás, família aqui tem um peso importante. Os dois componentes do casal vêm de histórias complicadas dentro de casa, principalmente por causa da figura paterna. Pai ausente provoca em Sarah uma necessidade de se virar sozinha, uma fixação pelo azul e uma certa tendência a amores-roubada. Já William sente falta em saber como “os homens se comportam”. Ele não sabe o que dizer quando está só com uma mulher, o que deve dizer, o que deve fazer.

Junte isto a um contexto de cinema vazio e escuro no sábado e tem-se um ótimo cenário para aumentar a TPM em mais uma semana. Por sorte do destino, tinha vinho na geladeira.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O álcool entra, a verdade sai.

“Quem é mais difícil de amar é quem mais precisa ser amado”.

Esse é o tipo de coisa que você não espera e nem precisa ouvir às 5h da manhã de uma sexta muito insana.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Tudo bem

Tudo bem. Não precisa se importar com aquilo que não carece de importância. São só coisas que vem e vão, assim como tudo na vida, não é mesmo? São coisas do corpo. Ou de mulher, quem sabe.

Ah sim, também dizem que a carne é fraca. Pode ser, mas me acostumei a pensar que o corpo todo é frágil. Olha esses ossos aparecendo. Os braços finos. A cabeça que abaixa. É fraqueza. Mas não a fraqueza de desistir, é de tentar. É o mesmo corpo frágil que se arrepia com a leve passagem da brisa ou de um pensamento. De frio. E de calor também. Estranho, né? Não precisa te importar, se é este corpo que queres.

E repito o que ela disse antes, “Por que haverias de querer minha alma na tua cama?” Mas não há alma sem corpo. E a alma não está lá, no fundo, escondida. Está bem na superfície, na pele, no ar que sai, nos olhos que fecham, nas mãos que tocam, no suor. Não percebe? Tudo bem, não carece de importância. Pois se é o meu corpo que queres, é só ele que terás.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Senta que lá vem história

Descobri hoje um site muito interessante para os momentos de ócio criativo. O The New Shelton Wet/Dry tem milhares de categorias sobre variados assuntos. Na parte de “Ideas” encontro uma reflexão sobre a evolução da genitália das fêmeas.

Resumidamente, o artigo fala que com a mudança de quadrúpede para bípedes, a genitália das fêmeas não ficou mais aparente.

Escondidinha entre as pernas e camuflada com os pêlos pubianos e lábios, a vagina não é acessível como a genitália das cachorras por exemplo (olha aí a origem do apelido). Assim, para que a relação sexual aconteça, a mulher deve aceitar, querer, desejar e consentir. Isto daria origem a um outro aspecto biológico nada lógico das mulheres. O fato de a mulherzinha ter que pensar se dá ou não dá a sua perseguida acaba por gerar uma relação afetiva e emocional com o ato de trepar.

Daí, todas as agruras sentimentais que nós, mais cedo ou mais tarde (ou sempre), passamos e a relação conflituosa que muitas vezes é o sexo casual. Ah, outra questão importante é que com a vagina pouco acessível, até os ferormônios que aguçam o desejo sexual dos machos fica disfarçado. Vai ver que vem daí a necessidade de criar um perfume com cheiro de xereca, como foi noticiado há pouco tempo.

Em contrapartida, os homens tão que tão. Com a tal mudança de quadrúpede para bípede, a sua genitália ficou ainda mais aparente e... maior! Não é preciso fazer muito esforço para saber quando um homem está a fim. E para isto, não existe muita teoria não. É pá-pum, pimba na gorduxinha e tudo mais.

Interessante, mas ainda não sei se prefiro a explicação da ciência ou a metáfora do Adão e da Eva, da maçã e da serpente e tudo mais. Parecia ser mais simples. Mas acaba que nunca é.

Queria emendar o papo com um relato sobre O Passado do Hector Babenco, mas deixarei para outra ocasião. Pornô-cult não combina muito com ciência.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Adornos para noites de chuva

E a gente fica assim, no meio de recortes de papel, cola e tesoura.

Rediagramando o que já faz e fez sentido.

Porque a minha caligrafia de menino canhoto não condiz com a beleza que nem todos vêem.

Mais fácil é julgar vulgar.

É dizer impuro.

É fechar os olhos.

Mas ainda ontem li que com os olhos fechados é que se tem mais liberdade. E, ainda com os olhos abertos, ficam assim presos na parede os versos dela. Estão presos e livres.

Dela que tem tanto de mim.

E teria ainda mais se já não fosse morta. Assim:

"E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.


Mas não menti gozo, prazer, lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro.


E te repito: por que haverias
De querer
minha alma na tua cama?


Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me".

(Hilda Hilst)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

o velho flerte nos tempos de msn

Aí você está lá, com o status "ocupado" bem visível, e uma janelinha chata começa a piscar. Você olha, pra ver se é algum amigo daqueles que têm liberdade de mandar uma mensagem quando você diz estar ocupada. Uma breve análise do nick da pessoa te faz constatar: não, não é um amigo. É o sujeito que você conheceu na balada há uma semana e, por alguma circunstância, te adicionou no msn. Pronto. Diagnóstico feito, lá vai você abrir a tal mensagem pra descobrir de quem se trata, porque a criatura nem pra facilitar a sua vida e colocar um nick prontamente identificável. Mal você abre a janelinha e um monte de desenhos começam a piscar. Passam dois minutos até que você consiga decifrar que "e aih -estrelas piscando - menina loira de vestido rosa dançando pra lá e pra cá - comu c tahhhhh - interrogações pulando - tuduh - boneco palitinho andando sem sair do lugar - mais interrogações enlouquecidas" é uma forma de perguntar "e aí, gata/princesa/menina/ninfeta/seja lá que porra a bonequinha queira dizer, como você está? tudo indo?".

Só isso já mereceria uma bloqueada na hora. E o pior: às vezes, esse tipo de cara é até interessante à primeira vista. Você até pensa que, de repente, valeria a pena tomar uma cerveja para sacar mais da criatura. Mas uma simples mensagem ridícula no msn pode minar todas as chances. Cruel assim. Na maioria das vezes, quando você não responde na hora, o pretê-sem-noção manda umas dez mensagens igualmente piscantes em seguida, o que te deixa quase sem fôlego e paciência pra decifrar mais coisa. Perguntas como: "ei, vc taaah aiih?" ou "kd vc???????????" ou "num ker falar cumigo??? tô cum saudadis!!!", tudo devidamente salpicado de emoticons bregas, até terminar com o fatídico "ki foi, lindaaaa? tá ocupada??". Nesse momento, só resta respirar fundo e pensar bem antes de mandar uma resposta atravessada, perguntando se o cara não sabe ler o que está escrito no seu status ou se ele costuma ter saudades de quem viu uma vez na vida e não tem a menor intimidade.

Nesses casos extremos, aconselho a bloquear, sem dó nem piedade. Se você encontrar na balada depois, diga, com cara de quem está profundamente sentida: "puxa, meu bem, eu não estou entrando do msn...ando muito ocupada...". Afinal, quem ama bloqueia.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Amor nos tempos de orkut

A necessidade mexeriqueira das pessoas é secular, milenar, transcendental, hah. Estavam lá Adão e Eva no paraíso e veio a serpente meter o bedelho (no sentido quase literal da coisa). O tempo passou, dinossauro, gelinho, calor, homem e mulher, lá de novo, aquela coisa toda. Vieram as casas, as janelas, as mulheres debruçadas na janela vendo a vida passar. Inclusive a vida das outras pessoas.

Ta, todo esse relato histórico super preciso só para falar do orkut. Parece meio datado, já que o Twitter agora que é a sensação da galera online. Mas, sério, orkut estava de leve acabando com a minha vida de novo. A ponto de querer chegar mais cedo no trampo pra poder ficar uns 10 minutinhos vendo quem entrou no perfil de quem, se fulaninho tem scrap de alguma rapariga. O que será que ele está ouvindo no lastFM? Freak demais. Calma. Respira.

Agora vem a parte de “E o que aprendemos hoje, amiguinhos?”. Assim, por mais hype, geek e freak que seja a pessoa, ainda necessitamos de respostas. Do sentimento de fazer parte. Dormir de conchinha com a mão acariciando os cabelos. A internet dá isso? Não. São só informações soltar no ar, perdidas no éter.

Sabe fumaça? Tenta pegar.

sábado, 22 de setembro de 2007

amor líquido

Celine,

Estamos vivendo os momentos áureos da edição videoclipe nas relações, para variar a metáfora. As seqüências em slow motion figuram cada vez mais como lembranças de filmes antigos. O problema é que guardamos esses filmes com carinho em nossa videoteca afetiva. E, para os fãs de curtas temporadas, eles são apenas os clássicos: distantes, herméticos e inatingíveis. Enfadonhos.

Não tenho nada contra os especiais de fim de ano. Pelo contrário, já me diverti bastante com eles. Mas os formatos andam se repetindo muito, por trás de uma pseudo-invenção ágil. Não nos interessa uma edição ágil. Interessa o chantilly no cappuccino quente e tudo o que deixa impressões um pouco mais permanentes do que alguns torpedos na madrugada.

Sabe o que é, dear Celine? É que os carteiros têm se mudado cada vez em maior quantidade para aquele local conhecido como canto da memória afetiva. Lá, onde guardamos as imagens que víamos dentro das bolinhas de gude; o cheiro de álbum de figurinha; a textura de manga roubada do pé; aquele envelope que chegou por engano na casa do vizinho, mas que fomos resgatar com toda a nossa devoção.

Os carteiros mudaram-se para lá. Dizem que formaram uma comunidade de uniformes amarelos, que cultua a entrega diária de cartas de amor. O serviço pesado ficou para uma nova categoria, um tanto estranha, de entregadores de mensagens via celular. Declarações de amor chegam por que mãos? Que caligrafia têm as relações que se sustentam via sms? Como saber sobre doçura e amargor sem que haja uma troca, sim, para além de respostas fofas que se perdem no tempo?

Somos capazes de mandar uma mensagem falando de futebol ou pombos entregadores de beijos. Sustentamos uma longa temporada, minha amiga, não tenha dúvidas disso. Pena é que o padrão dos relacionamentos na era da reprodutibilidade técnica imponha a duração de um torpedo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007


Mais ou menos assim: A história tem um buraco. Quando você chega ao fim, cai e volta para o meio.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

tempo, tempo, mano velho...

Tangerine,

Estamos vivendo os momentos áureos dos 100 metros rasos nas relações. Tudo tão rápido que quando você acha que vai, já foi. Não por acaso, os maratonistas são chamados de “fundistas”. Como sabe, adoro essas peripécias lingüísticas. E, na verdade, o maratonista só se fode mesmo. Fica lá se matando para manter o ritmo, dá o sprint final, luta contra tudo e todos, mas os heróis mesmo são os rapidinhos, os mais apressadinhos.

Tirando as metáforas esportivas que são assim tããão anti-femininas, me pergunto:

Onde estão os momentos slow motion? Estes sempre foram os momentos românticos dos filmes. Incluem até corridinhas, mas desta vez na praia ou no parque, com os braços abertos e folhas de outono caindo.

Ok, não vamos ser tão piegas, baby. Sabemos que também não queremos uma filme de comédia romântica. Mas uma série, de preferência com várias temporadas, é bem mais satisfatória que os especiais de fim de ano.

Agora vou-me. O chantilly está afundando na xícara de capuccino quente. Se não aproveitar agora a sua doçura, só vai restar uma espuma sem gosto. Até.