terça-feira, 4 de março de 2008

New York Herald Tribune, New York Herald Tribune

Você gosta de nouvelle vague?

De que?

Deveria saber aí que não vai mesmo dar certo.
Ele não conhece Jules et Jim, nem Acossado, nem mesmo os Sonhadores, pra não apelar só para a película preto e branco.
A nova onda agora é ignorar estes pequenos detalhes.

Você gosta de nouvelle vague?

A voz está meio cansada ainda, o suor ainda não acabou de evaporar e o perfume dele ficou no meu pescoço.

Você gosta de nouvelle vague?

Eu posso te ensinar a gostar. Às vezes dá certo, às vezes não. Mas já faz tanto tempo que estamos tentando que não custa mais uma vez, não é verdade?

Você gosta de mim?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Tanran tan tan tantan

Somos tão Sex and the City.

Um amigo diz isto à mesa do bar. Bebemos cerveja em vez de cosmopolitan, estamos numa cidade planejada, e não caótica. Mas depois de alguns copos, tudo pode fazer sentido.

Junto de nós, mais um ouvinte que, ainda incrédulo na afirmação, logo se apresenta como Mr. Big antes que caia sobre ele outra personagem.

Por passados e presentes, o amigo da frase inicial deste texto é Samantha. Um pouco a contra-gosto, mas contra fatos...

Eu sou a Carrie, digo. Claro, todos e todas querem ser a Carrie. A personagem principal, a que usa as roupas mais legais (nem sempre é verdade, mas até isto tem seu charme). A que consegue viver bem em Nova Iorque só escrevendo uma coluna semanal para um jornal. Ah, ficções.

E, sim, ela escreve. Nada profundo, nada poético demais. Mas tudo isto que é cotidiano, como o computador que estraga, o que fazer quando seus sapatos preferidos são roubados ou como deixar o apartamento com uma cara nova.

Poderia ser Miranda, a workaholic. Se não fosse pela mancada de ela engravidar com o idiota do Steve e pelo fato de ela ter aquele look lesbian chic, até passava. Charlote, nem pensar. A que dá título a este blog é outra, mais Johanson e mais Copola. Nada de casamentos com ricos escoceses brochas.

Então, é Carrie mesmo? Claro, afirmo com convicção. Assumo o papel principal, mesmo sabendo que, na verdade, não passamos de vultos na multidão sem trilha sonora. Figurantes que não falam, não olham para a câmera e apenas fingem que tudo está normal, quando alguém grita "ação".

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

"A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte" Hmm

Acho que os fast-foods da vida dão tão certo no mundo todo pela grandiosa combinação de sanduíche, com batata e refri (no meu caso, suco ou chá gelado). Assim, tudo junto, no mesmo combo, sem estresse pra poder saber o que combina com o quê. Tudo o que você precisa para uma refeição pouco saudável junto no mesmo mclanche feliz que, às vezes, até pode vir com um brinde plus.

Esse papo gastronômico foi uma viagem que acabei de ter (agora na hora do almoço) sobre nossas relações com as pessoas.

Diferente dos fast-foods, que tem uma em cada esquina, é difícil achar uma pessoa combo. Que tem tudo o que você precisa.

Você tem a sua família que te ama incondicionalmente, seus amigos, que dão aquele suporte, são companheiros pra tudo quanto é assunto e ainda têm a possibilidade de se auto-combinar de diversas formas. Como amigos do trabalho, da faculdade, da vida, de balada e assim por diante dependendo do seu círculo social.

Quando a relação é amorosa, aí temos também suas variantes. Ficantes, peguetes, amigos coloridos, rolos, tico-tico no fubá (uma expressão bem old school, né? Acho que era o Silvio que falava isso), namorado, namorido, noivo, marido, traste, falecido e as variações dependem da imaginação de cada um.

E quem nunca tentou misturar as coisas? Você tem lá aquele amigo legal, boa pinta, divertido e de vez em quando passa aquele pensamento “Putz, a gente se dá tão bem, será que não daria certo?” Não, não daria. Melhor esquecer. E aquele peguete que sabe o caminho das pedras, mas não é lá a pessoa mais confiável do mundo “hm, a gente podia ser mais amigo”. Bem slogan do Burger King: A gente faz do seu jeito.

Uma pessoa-combo seria mais vantajosa. Menos ligações, menos dúvidas, menos gasolina e menos rugas. Mas enquanto o mclanche feliz não chega, o jeito é se virar no self-service.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Lomos?

http://www.flickr.com/photos/alittlebitcharlotte/

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Overheard Emo In Brasília

Frasesinha que ouvi tempos atrás na rua e achei inspiradora.

Uma garotinha com seus 5, 6 anos anda de mãos dadas com a mãe. Quando passam perto de mim, a garotinha pergunta:

- Mãe, quem ama mais? Os homens ou as mulheres?

- Hein?

A garotinha repetiu a pergunta, eu continuei a andar e perdi a resposta da mãe. Mas imagine, há várias possibilidades de respostas:

Mãe divorciada: - As mulheres, claro. Não viu o que o cachorro do seu pai fez comigo?

Mãe dona de casa: - Depende do assunto, minha filha. Seu pai mesmo, ama mais cerveja do que eu.

Mãe workaholic: - Isso varia de acordo com a profissão que você escolher.

Mãe solteira: - Hm, hm, *snif*. O amor não existe.

Mãe viciada em remédio pra dormir: - Depois de um tempo você vai ver que isso não tem importância. Vamos à farmácia.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Meu coração é de ouro. Quanto você dá por ele?


The Hottest State, ou Um amor jovem (sou só eu, ou as traduções de títulos para o português sempre são uma merda?)

Sim, é aquele filme do Ethan Hawke, o bonitinho de Sociedade dos Poetas Mortos, Grandes Esperanças, Before Sunrise / Before Sunset e tudo mais. Este filme ele escreveu, dirigiu e atuou. Há muito que ele deixou de ser só um bonitinho (eu me lembro que lá nos idos dos anos 90, a Capricho lançou uns mini-livretos com astros de cinema – vulgo gatos. Um deles era o Ethan. É engraçado ver que caras como Chris O’donnel nem existem mais, e o EH só tem evoluído).

Então, The Hottest State é mais um filme de DR. Relacionamentos confusos, jovens com sede de amar e de conquistar o mundo todo, de realizar sonhos enquanto tem que pagar aluguel ou jantar com a família.

Aliás, família aqui tem um peso importante. Os dois componentes do casal vêm de histórias complicadas dentro de casa, principalmente por causa da figura paterna. Pai ausente provoca em Sarah uma necessidade de se virar sozinha, uma fixação pelo azul e uma certa tendência a amores-roubada. Já William sente falta em saber como “os homens se comportam”. Ele não sabe o que dizer quando está só com uma mulher, o que deve dizer, o que deve fazer.

Junte isto a um contexto de cinema vazio e escuro no sábado e tem-se um ótimo cenário para aumentar a TPM em mais uma semana. Por sorte do destino, tinha vinho na geladeira.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O álcool entra, a verdade sai.

“Quem é mais difícil de amar é quem mais precisa ser amado”.

Esse é o tipo de coisa que você não espera e nem precisa ouvir às 5h da manhã de uma sexta muito insana.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Tudo bem

Tudo bem. Não precisa se importar com aquilo que não carece de importância. São só coisas que vem e vão, assim como tudo na vida, não é mesmo? São coisas do corpo. Ou de mulher, quem sabe.

Ah sim, também dizem que a carne é fraca. Pode ser, mas me acostumei a pensar que o corpo todo é frágil. Olha esses ossos aparecendo. Os braços finos. A cabeça que abaixa. É fraqueza. Mas não a fraqueza de desistir, é de tentar. É o mesmo corpo frágil que se arrepia com a leve passagem da brisa ou de um pensamento. De frio. E de calor também. Estranho, né? Não precisa te importar, se é este corpo que queres.

E repito o que ela disse antes, “Por que haverias de querer minha alma na tua cama?” Mas não há alma sem corpo. E a alma não está lá, no fundo, escondida. Está bem na superfície, na pele, no ar que sai, nos olhos que fecham, nas mãos que tocam, no suor. Não percebe? Tudo bem, não carece de importância. Pois se é o meu corpo que queres, é só ele que terás.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Senta que lá vem história

Descobri hoje um site muito interessante para os momentos de ócio criativo. O The New Shelton Wet/Dry tem milhares de categorias sobre variados assuntos. Na parte de “Ideas” encontro uma reflexão sobre a evolução da genitália das fêmeas.

Resumidamente, o artigo fala que com a mudança de quadrúpede para bípedes, a genitália das fêmeas não ficou mais aparente.

Escondidinha entre as pernas e camuflada com os pêlos pubianos e lábios, a vagina não é acessível como a genitália das cachorras por exemplo (olha aí a origem do apelido). Assim, para que a relação sexual aconteça, a mulher deve aceitar, querer, desejar e consentir. Isto daria origem a um outro aspecto biológico nada lógico das mulheres. O fato de a mulherzinha ter que pensar se dá ou não dá a sua perseguida acaba por gerar uma relação afetiva e emocional com o ato de trepar.

Daí, todas as agruras sentimentais que nós, mais cedo ou mais tarde (ou sempre), passamos e a relação conflituosa que muitas vezes é o sexo casual. Ah, outra questão importante é que com a vagina pouco acessível, até os ferormônios que aguçam o desejo sexual dos machos fica disfarçado. Vai ver que vem daí a necessidade de criar um perfume com cheiro de xereca, como foi noticiado há pouco tempo.

Em contrapartida, os homens tão que tão. Com a tal mudança de quadrúpede para bípede, a sua genitália ficou ainda mais aparente e... maior! Não é preciso fazer muito esforço para saber quando um homem está a fim. E para isto, não existe muita teoria não. É pá-pum, pimba na gorduxinha e tudo mais.

Interessante, mas ainda não sei se prefiro a explicação da ciência ou a metáfora do Adão e da Eva, da maçã e da serpente e tudo mais. Parecia ser mais simples. Mas acaba que nunca é.

Queria emendar o papo com um relato sobre O Passado do Hector Babenco, mas deixarei para outra ocasião. Pornô-cult não combina muito com ciência.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Adornos para noites de chuva

E a gente fica assim, no meio de recortes de papel, cola e tesoura.

Rediagramando o que já faz e fez sentido.

Porque a minha caligrafia de menino canhoto não condiz com a beleza que nem todos vêem.

Mais fácil é julgar vulgar.

É dizer impuro.

É fechar os olhos.

Mas ainda ontem li que com os olhos fechados é que se tem mais liberdade. E, ainda com os olhos abertos, ficam assim presos na parede os versos dela. Estão presos e livres.

Dela que tem tanto de mim.

E teria ainda mais se já não fosse morta. Assim:

"E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.


Mas não menti gozo, prazer, lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro.


E te repito: por que haverias
De querer
minha alma na tua cama?


Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me".

(Hilda Hilst)