quinta-feira, 24 de abril de 2008

Give some meanings to the means

Depois de tanto pensar, concluiu: O problema é a semiótica.
Meninos e meninas desde cedo aprendem as mesmas coisas com significados diferentes.
Sem preto no branco, mais rosa e azul. Uma moça que gosta mais de azul do que rosa enfrenta problemas.
Usamos dicionários diferentes. E o que pode significar algo bom para um, pode se tornar uma gafe para outro. Mulher pode isso, homem não pode aquilo. A solução é fácil.
O que você quer dizer com isso?
Ora, você devia saber. Falamos a mesma língua, não?
Às vezes, no caminho para casa, pensa que o mundo seria melhor sem as entrelinhas. Mas pegar o livro lembra que são as entrelinhas que guardam os maiores prazeres. Literários, ao menos.
Então anda descalça até a janela e pensa que seria melhor ter uma um apartamento em um andar mais alto.

quarta-feira, 26 de março de 2008

I show some love and respect / dont wanna get a life of regret (NARC - Interpol)

Nos longínquos anos 80 o hit das séries era Barrados no Baile.
Naquela época em que TV a cabo era quase uma raridade (pelo menos no circulo social) e as opções eram tão limitadas, Barrados no Baile era assim o must no quesito programa para jovens impulsivos e impetuosos.

Bem, eu era uma criança. Só me lembro de algumas partes, como o topete do Brendon, a despedida da Brenda (que, aliás, tinha sido despedida da série) e a Donna que tinha um visu meio chocante pra mim naquela época.

Mas um episódio marcou. Um em que o Brendon tinha uma nova namorada, os dois viviam juntos pra cima e pra baixo e um dia, depois de terem dormido juntos (é, eu pensava que eles dormiam juntos, não transavam), a moçoila fala: Eu te amo.

Os dois fazem um silêncio assim meio constrangedor e ela fala, meio sem jeito; Ah, quer dizer, não amo. Quer dizer, amo.Ai, deixa pra lá.

Bem, foi algo do tipo. Ele fica meio sem graça, ajeita o topete, sai e já no final desse episódio os dois estão separados.

O que a pequena aqui deveria ter aprendido? Nunca, nunquinha, NUNCA, diga que goste de alguém. Você vai se dar mal. Ele vai se sentir pressionado, vai achar que vai te magoar ou vai só pensar: Fudeu, só queria me divertir e logo ela vai querer casar.

Deveria ter aprendido.

Mas eu acho que gostar é algo tão amplo e simples.
Eu gosto de chocolate, mas não trocaria uma refeição inteira por uma barrinha de meio-amargo.
Eu gosto de filmes europeus, mas me diverti vendo As Branquelas na Tela Quente.

Não é tão dramático assim, é? Por que a gente tem que se sentir culpada quando lembra de uma pessoa no caminho de casa? Por que eu não posso dizer pro fulaninho: Oi gato, eu gosto de você. Vamos alugar uns filmes? É simples, não precisa casar comigo, nem prometer nada, nem dizer um Eu também chocho. Só queria que você soubesse porque, se fosse o contrário, eu ia gostar de ficar sabendo.

terça-feira, 4 de março de 2008

New York Herald Tribune, New York Herald Tribune

Você gosta de nouvelle vague?

De que?

Deveria saber aí que não vai mesmo dar certo.
Ele não conhece Jules et Jim, nem Acossado, nem mesmo os Sonhadores, pra não apelar só para a película preto e branco.
A nova onda agora é ignorar estes pequenos detalhes.

Você gosta de nouvelle vague?

A voz está meio cansada ainda, o suor ainda não acabou de evaporar e o perfume dele ficou no meu pescoço.

Você gosta de nouvelle vague?

Eu posso te ensinar a gostar. Às vezes dá certo, às vezes não. Mas já faz tanto tempo que estamos tentando que não custa mais uma vez, não é verdade?

Você gosta de mim?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Tanran tan tan tantan

Somos tão Sex and the City.

Um amigo diz isto à mesa do bar. Bebemos cerveja em vez de cosmopolitan, estamos numa cidade planejada, e não caótica. Mas depois de alguns copos, tudo pode fazer sentido.

Junto de nós, mais um ouvinte que, ainda incrédulo na afirmação, logo se apresenta como Mr. Big antes que caia sobre ele outra personagem.

Por passados e presentes, o amigo da frase inicial deste texto é Samantha. Um pouco a contra-gosto, mas contra fatos...

Eu sou a Carrie, digo. Claro, todos e todas querem ser a Carrie. A personagem principal, a que usa as roupas mais legais (nem sempre é verdade, mas até isto tem seu charme). A que consegue viver bem em Nova Iorque só escrevendo uma coluna semanal para um jornal. Ah, ficções.

E, sim, ela escreve. Nada profundo, nada poético demais. Mas tudo isto que é cotidiano, como o computador que estraga, o que fazer quando seus sapatos preferidos são roubados ou como deixar o apartamento com uma cara nova.

Poderia ser Miranda, a workaholic. Se não fosse pela mancada de ela engravidar com o idiota do Steve e pelo fato de ela ter aquele look lesbian chic, até passava. Charlote, nem pensar. A que dá título a este blog é outra, mais Johanson e mais Copola. Nada de casamentos com ricos escoceses brochas.

Então, é Carrie mesmo? Claro, afirmo com convicção. Assumo o papel principal, mesmo sabendo que, na verdade, não passamos de vultos na multidão sem trilha sonora. Figurantes que não falam, não olham para a câmera e apenas fingem que tudo está normal, quando alguém grita "ação".

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

"A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte" Hmm

Acho que os fast-foods da vida dão tão certo no mundo todo pela grandiosa combinação de sanduíche, com batata e refri (no meu caso, suco ou chá gelado). Assim, tudo junto, no mesmo combo, sem estresse pra poder saber o que combina com o quê. Tudo o que você precisa para uma refeição pouco saudável junto no mesmo mclanche feliz que, às vezes, até pode vir com um brinde plus.

Esse papo gastronômico foi uma viagem que acabei de ter (agora na hora do almoço) sobre nossas relações com as pessoas.

Diferente dos fast-foods, que tem uma em cada esquina, é difícil achar uma pessoa combo. Que tem tudo o que você precisa.

Você tem a sua família que te ama incondicionalmente, seus amigos, que dão aquele suporte, são companheiros pra tudo quanto é assunto e ainda têm a possibilidade de se auto-combinar de diversas formas. Como amigos do trabalho, da faculdade, da vida, de balada e assim por diante dependendo do seu círculo social.

Quando a relação é amorosa, aí temos também suas variantes. Ficantes, peguetes, amigos coloridos, rolos, tico-tico no fubá (uma expressão bem old school, né? Acho que era o Silvio que falava isso), namorado, namorido, noivo, marido, traste, falecido e as variações dependem da imaginação de cada um.

E quem nunca tentou misturar as coisas? Você tem lá aquele amigo legal, boa pinta, divertido e de vez em quando passa aquele pensamento “Putz, a gente se dá tão bem, será que não daria certo?” Não, não daria. Melhor esquecer. E aquele peguete que sabe o caminho das pedras, mas não é lá a pessoa mais confiável do mundo “hm, a gente podia ser mais amigo”. Bem slogan do Burger King: A gente faz do seu jeito.

Uma pessoa-combo seria mais vantajosa. Menos ligações, menos dúvidas, menos gasolina e menos rugas. Mas enquanto o mclanche feliz não chega, o jeito é se virar no self-service.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Lomos?

http://www.flickr.com/photos/alittlebitcharlotte/

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Overheard Emo In Brasília

Frasesinha que ouvi tempos atrás na rua e achei inspiradora.

Uma garotinha com seus 5, 6 anos anda de mãos dadas com a mãe. Quando passam perto de mim, a garotinha pergunta:

- Mãe, quem ama mais? Os homens ou as mulheres?

- Hein?

A garotinha repetiu a pergunta, eu continuei a andar e perdi a resposta da mãe. Mas imagine, há várias possibilidades de respostas:

Mãe divorciada: - As mulheres, claro. Não viu o que o cachorro do seu pai fez comigo?

Mãe dona de casa: - Depende do assunto, minha filha. Seu pai mesmo, ama mais cerveja do que eu.

Mãe workaholic: - Isso varia de acordo com a profissão que você escolher.

Mãe solteira: - Hm, hm, *snif*. O amor não existe.

Mãe viciada em remédio pra dormir: - Depois de um tempo você vai ver que isso não tem importância. Vamos à farmácia.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Meu coração é de ouro. Quanto você dá por ele?


The Hottest State, ou Um amor jovem (sou só eu, ou as traduções de títulos para o português sempre são uma merda?)

Sim, é aquele filme do Ethan Hawke, o bonitinho de Sociedade dos Poetas Mortos, Grandes Esperanças, Before Sunrise / Before Sunset e tudo mais. Este filme ele escreveu, dirigiu e atuou. Há muito que ele deixou de ser só um bonitinho (eu me lembro que lá nos idos dos anos 90, a Capricho lançou uns mini-livretos com astros de cinema – vulgo gatos. Um deles era o Ethan. É engraçado ver que caras como Chris O’donnel nem existem mais, e o EH só tem evoluído).

Então, The Hottest State é mais um filme de DR. Relacionamentos confusos, jovens com sede de amar e de conquistar o mundo todo, de realizar sonhos enquanto tem que pagar aluguel ou jantar com a família.

Aliás, família aqui tem um peso importante. Os dois componentes do casal vêm de histórias complicadas dentro de casa, principalmente por causa da figura paterna. Pai ausente provoca em Sarah uma necessidade de se virar sozinha, uma fixação pelo azul e uma certa tendência a amores-roubada. Já William sente falta em saber como “os homens se comportam”. Ele não sabe o que dizer quando está só com uma mulher, o que deve dizer, o que deve fazer.

Junte isto a um contexto de cinema vazio e escuro no sábado e tem-se um ótimo cenário para aumentar a TPM em mais uma semana. Por sorte do destino, tinha vinho na geladeira.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O álcool entra, a verdade sai.

“Quem é mais difícil de amar é quem mais precisa ser amado”.

Esse é o tipo de coisa que você não espera e nem precisa ouvir às 5h da manhã de uma sexta muito insana.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Tudo bem

Tudo bem. Não precisa se importar com aquilo que não carece de importância. São só coisas que vem e vão, assim como tudo na vida, não é mesmo? São coisas do corpo. Ou de mulher, quem sabe.

Ah sim, também dizem que a carne é fraca. Pode ser, mas me acostumei a pensar que o corpo todo é frágil. Olha esses ossos aparecendo. Os braços finos. A cabeça que abaixa. É fraqueza. Mas não a fraqueza de desistir, é de tentar. É o mesmo corpo frágil que se arrepia com a leve passagem da brisa ou de um pensamento. De frio. E de calor também. Estranho, né? Não precisa te importar, se é este corpo que queres.

E repito o que ela disse antes, “Por que haverias de querer minha alma na tua cama?” Mas não há alma sem corpo. E a alma não está lá, no fundo, escondida. Está bem na superfície, na pele, no ar que sai, nos olhos que fecham, nas mãos que tocam, no suor. Não percebe? Tudo bem, não carece de importância. Pois se é o meu corpo que queres, é só ele que terás.