como matar o amor
ou aquelas dores que podem ser postadas no facebook
ou aquelas dores que podem ser postadas no facebook
Postado por
Celine
às
05:33
0
comentários
Querida Tangerine,
Que delícia de correspondência. Ainda ontem li nas redes sociais uma frase que atribuiam ao Oscar Wilde que era mais ou menos assim: "Não importa o quão distante estejamos um do outro, sempre haverá um céu nos unindo”. Não acredito que o Wilde tenha mesmo escrito isso, mas bom, era isso que sua carta me transmitiu. Minha amiga, comadre, florzinha, minha irmã. Uma ligação etérea de almas que vão perambulando por aí mas sempre se encontram. Ah, se encontram sim.
Muitos cigarros, capuccinos e janelas não me fazem ver as coisas tão ordeiras assim. Parece que por trás de um bom enredo tem muito remendo e improvisação. Sabe, entrei nessas de querer ser mais profunda e estou estudando a contemporaneidade. E sabe o que encontrei? Que nesses tempos sem certezas parece que o acaso é ainda a melhor aposta. Tenho que aprender a ser leve assim, Tangerine. Como fazer para não tropeçar nos fios dos próprios planos? Ou não deixar que o futuro se instale bem na frente do presente? Já tem contei que os meus ídolos atuais tem todos mais de 70 anos? Sim, Roberto Carlos inclusive. Acho que tem algo maravilhoso que vem com a idade. E de repente, tenho vontade de já ser velha e ver o fim na próxima esquina para, quem sabe, saber o que se passou.
Como está o céu por aí?
Amor, Amor,
Celine
Postado por
Celine
às
07:03
0
comentários
Querida Celine,
Passei muito tempo sem escrever pra você, embora a cada paisagem eu tenha esboçado algumas linhas ao vento, com coisas que eu queria te dizer. Fomos pra longe, minha amiga, mas há uma ponte imaginária que nos liga do coração ao abraço, e vai sempre ligar. Queria te dizer que as coisas por aqui continuam turvas e contar milhares de histórias de corações partidos, mas não sei mentir tão bem assim pra mim mesma. Há muito de turvo que se dissipou para nós duas. Mas seremos sempre um pouquinho turvas. Você sabe disso, não sabe? Por mais que as coisas estejam ordeiras, estamos sempre dançando num lago de gelo prestes a rachar.
Me fale de você, tenho saudade de saber. Quantos cigarros na janela, quantos afagos de cappuccino em manhãs de frio, quantas paredes coloridas? Há tanto de você nessas coisas, e todas elas são cartas de nós duas.
Espero um sinal de fumaça. Ou uma nota de caixinha de música. Ou uma lomo revelada debaixo da minha porta.
Amor,
Tangerine
Postado por
tangerine
às
08:05
0
comentários
Postado por
Celine
às
00:14
0
comentários
Eu pedi misto quente e ele torradas de pão integral. Ambos pedimos capuccino, mas o dele era pequeno, o meu grande. Eu açúcar, ele não. Assim começou o dia logo depois da noite que havia terminado mais tarde. Dormimos sem vontade de dormir. Nos vemos no escuro. Encontramos intimidade em meio ao lençol que soltou do colchão. Ele encontrou meu brinco perdido no meio desse lençol e, acredito eu, encontrou algo que eu também estava procurando, mas não tinha tato para encontrar.
É cedo demais. A espuma do capuccino ainda não se desmanchou. O dia ainda não terminou.
Postado por
Celine
às
07:36
2
comentários
Está frio, o chá veio como bom companheiro, mas já acabou. Nesse intervalo, entre o fim do chá e o começo desse texto, me peguei pensando quem por que as coisas continuam a ser sempre do mesmo jeito e achei um culpado, os objetivos.
Acho horrível separar as intenções e desejos das pessoas em homens e mulheres. Em toda discussão de mesa de bar, quando alguém fala que “mulheres são complicadas” eu levanto o meu copo e defendo que pessoas são complicadas. Independentemente do gênero.
Mas, agora, um minutinho que eu vou aqui defender a teoria que acabei de formular. Não sobre homens e mulheres, mas sobre mim e “eles”.
Sexo, pra mim, é o começo de um relacionamento. É uma ótima forma de conhecer uma pessoa, não só porque é prazeroso, mas porque, eu acredito, é quando estamos mais entregues. Eu não enxergo sexo como prêmio, nem sigo o raciocínio de muitas mulheres de que “só dou depois de...”. Boooooring, transo quando tenho vontade. E, talvez aí, resida o meu principal problema. Parece que enquanto pra mim, sexo é o começo, para muitos homens parece ser o fim. Conseguiu, acabou. Morreu fofão.
Acho isso muito estranho, e até perverso. Se você transou com alguém que não te interessa, porque transou então? Deve ter sido uma merda, não? Se eu não gosto de separar as pessoas nem por gênero, quanto mais na categoria “como / não como”.
Tem alguma coisa errada aí nessa matemática. Só números não interessam.
Postado por
Celine
às
18:09
0
comentários
Acontece mais ou menos assim. Você bebe demais. No outro dia, acorda com uma terrível dor de cabeça e a primeira coisa que diz depois de "ai minha cabeça" é "nunca mais vou beber de novo". Comigo acontece quase sempre com vodka.
Normal. A convicção quando estamos de estômago enjoado atinge níveis bem altos. Já fiz pactos com outras pessoas para nunca mais beber vodka. Claro que não deu certo. Depois de alguns litros de água, a normalidade volta ao seu corpo e aí que entra a verdadeira amnésia alcoólica. A menos que você tenha quase morrido de verdade, ao ver o próximo copo pensa: dessa vez vai ser diferente. Eu aprendi a beber. Eu sei quando parar.
E lá vamos nós de novo para mais um dia seguinte de promessas que não serão cumpridas.
Comigo, o mesmo acontece com relacionamentos. Depois da primeira decepção lá vem a promessa: nunca mais vou me jogar de novo. Mentira. Na primeira oportunidade, talvez também com um copo de vodka na mão, lá vamos nós de novo. Mais uma ressaca amorosa.
Os males são parecidos com a alcoólica. Dor em alguma parte específica do corpo, geralmente cotovelo ou coração. Arrependimento e a certeza de que, na próxima vez tudo vai ser diferente.
Anham.
A única coisa que é diferente entre as duas ressacas é, talvez, a possibilidade de procurar ajuda. Podia ter um engov, um analgésico que tirasse logo o mal estar ou que prevenisse os maiores danos. Não, aí entra outra filosofia de boteco: pra curar uma ressaca, beba mais. As vezes dá certo. As vezes só joga a dor de cabeça mais pra frente.
Estou na fase do "nunca mais vou beber ninguém de novo". Sem vodka barata, só espumante importado. Depois do fim de semana volto aqui e conto se deu certo. Ou não.
Postado por
Celine
às
18:49
0
comentários
Cá estamos de novo envoltos em metáforas. A figura de linguagem que se permite dizer o que se quer dizer sem dizer diretamente. Uma arte, talvez. Ou apenas a habilidade que todos nós temos de transferir para outras experiências as nossas frustrações ou sensações. É triste. Não poder mais dizer diretamente, ou preferir floreios ilustrativos enquanto a palpitação do coração não basta.
Eu sinto, mas acho que se tivesse fingido não gostar, o meu objeto de desejo estaria aqui agora. E eu não teria bebido vinho sozinha, nem teria visto pela milésima vez o mesmo filme nem estaria escrevendo isso agora. O que seria ótimo. Não ter a melancolia para impulsionar qualquer coisa. É o que o Coldplay fez no ultimo cd, e vejam só o resultado. Não casem com uma ganhadora do Oscar, não tenham uma filha chamada maçã, nem continuem com uma banda se tudo isso acontecer. O que pessoas como eu querem ouvir são pessoas que sentem essa mesma tristeza, mas conseguem transformar em algo mais interessante que uma noite de pijamas e manchas.
Postado por
Celine
às
10:13
0
comentários
Depois de tanto pensar, concluiu: O problema é a semiótica.
Meninos e meninas desde cedo aprendem as mesmas coisas com significados diferentes.
Sem preto no branco, mais rosa e azul. Uma moça que gosta mais de azul do que rosa enfrenta problemas.
Usamos dicionários diferentes. E o que pode significar algo bom para um, pode se tornar uma gafe para outro. Mulher pode isso, homem não pode aquilo. A solução é fácil.
O que você quer dizer com isso?
Ora, você devia saber. Falamos a mesma língua, não?
Às vezes, no caminho para casa, pensa que o mundo seria melhor sem as entrelinhas. Mas pegar o livro lembra que são as entrelinhas que guardam os maiores prazeres. Literários, ao menos.
Então anda descalça até a janela e pensa que seria melhor ter uma um apartamento em um andar mais alto.
Postado por
Celine
às
07:31
0
comentários
Nos longínquos anos 80 o hit das séries era Barrados no Baile.
Naquela época em que TV a cabo era quase uma raridade (pelo menos no circulo social) e as opções eram tão limitadas, Barrados no Baile era assim o must no quesito programa para jovens impulsivos e impetuosos.
Bem, eu era uma criança. Só me lembro de algumas partes, como o topete do Brendon, a despedida da Brenda (que, aliás, tinha sido despedida da série) e a Donna que tinha um visu meio chocante pra mim naquela época.
Mas um episódio marcou. Um em que o Brendon tinha uma nova namorada, os dois viviam juntos pra cima e pra baixo e um dia, depois de terem dormido juntos (é, eu pensava que eles dormiam juntos, não transavam), a moçoila fala: Eu te amo.
Os dois fazem um silêncio assim meio constrangedor e ela fala, meio sem jeito; Ah, quer dizer, não amo. Quer dizer, amo.Ai, deixa pra lá.
Bem, foi algo do tipo. Ele fica meio sem graça, ajeita o topete, sai e já no final desse episódio os dois estão separados.
O que a pequena aqui deveria ter aprendido? Nunca, nunquinha, NUNCA, diga que goste de alguém. Você vai se dar mal. Ele vai se sentir pressionado, vai achar que vai te magoar ou vai só pensar: Fudeu, só queria me divertir e logo ela vai querer casar.
Deveria ter aprendido.
Mas eu acho que gostar é algo tão amplo e simples.
Eu gosto de chocolate, mas não trocaria uma refeição inteira por uma barrinha de meio-amargo.
Eu gosto de filmes europeus, mas me diverti vendo As Branquelas na Tela Quente.
Não é tão dramático assim, é? Por que a gente tem que se sentir culpada quando lembra de uma pessoa no caminho de casa? Por que eu não posso dizer pro fulaninho: Oi gato, eu gosto de você. Vamos alugar uns filmes? É simples, não precisa casar comigo, nem prometer nada, nem dizer um Eu também chocho. Só queria que você soubesse porque, se fosse o contrário, eu ia gostar de ficar sabendo.
Postado por
Celine
às
10:05
0
comentários
I just don't know what I'm suppose to be. I thought maybe I wanted to be a writer... but I hate what I write, and I tried taking pictures, but John's so good at that, and mine are so mediocre... and every girls goes through a photography phase, like horses, you know dumb pictures of your feet...
Bob:
You'll figure it out. I'm not worried about you. Keep writting.